Formas de ajudar seu filho a lidar com a dor da rejeição.
Era dia 1º de abril, o dia em que nossa filha Susy aguardava uma carta de aprovação para a Universidade da Carolina do Norte. Infelizmente, a carta que ela recebeu, dizia: “Lamentamos informá-la…”. No dia em que a carta de rejeição chegou, toda a família chorou. Susy deveria ter sido aceita: tinha boas notas, toda a pontuação necessária e a tradição familiar. Ainda assim, foi rejeitada. Não compreendemos o que aconteceu, havíamos orado muito. Nossa filha estava devastada, e nós também estávamos.
Em outra ocasião, nosso filho John, então com 11 anos, chegou em casa nervoso, chorando e batendo a porta. Ele estava jogando basquete com os vizinhos e Roy, um garoto mais velho, insistia em dizer que ele não era bom jogador. “Você não joga nada, baixinho. Você não sabe de nada”, ele dizia. A agonia estampada no rosto de nosso filho refletia a dor e a rejeição. Conforme a história continuava, eu também sentia raiva deste garoto mais velho, que era um líder cristão em sua faixa etária.
Dor, raiva e frustração. Todos nós já tivemos estes sentimentos quando nossos filhos foram rejeitados. A realidade é que a rejeição é parte da vida. Por mais que nosso desejo seja proteger nossos filhos da rejeição, não podemos. Nosso papel é prepará-los para a vida e não protegê-los da dor da vida. Aqui vão algumas dicas de como você pode ajudar seus filhos a lidar com a dor inevitável da rejeição.
Considere o motivo da rejeição - Digamos que seu filho não faça a lição de casa a tempo, e, devido ao seu fraco desempenho, seja desqualificado para participar de um esporte do qual ele gostaria muito. A rejeição é válida, portanto resista ao desejo de tentar consertar as coisas para ele. Você estaria atrapalhando seu filho, e não ajudando. Por mais difícil que seja, é preciso permitir que ele sofra as conseqüências de suas ações, não importam quão doloridas elas sejam. Simplesmente diga: “Que pena, filho!” Após algumas decepções e o tempo que ele terá para refletir, pergunte-lhe o que aprendeu com a experiência.
Talvez sua filha não tenha conseguido o papel que desejava na peça teatral da escola. Em vez disso, ela foi designada a trabalhar na montagem do palco. No processo, ela descobre o talento para a arte. Lembre a sua filha de que às vezes esta rejeição inicial pode ser a forma de Deus dirigir a vida dela para algo que será mais adequado a ela. Se for possível, compartilhe sobre um momento de sua própria vida em que a rejeição abriu portas para outras oportunidades.
Qualquer que seja o motivo ou a razão da rejeição, lembre sua filha de que Deus ainda está no controle. Ele a ama e a conhece, sabe o que ela está sentindo. Ele deu a ela dons espirituais únicos (1 Coríntios 7.7) e tem bons planos para ela (Jeremias 29.11). E ele promete nunca deixá-la ou abandoná-la (Josué 1.5), mesmo quando ela se sentir sozinha e sem amigos.
Dê a seu filho perspectiva - Quando a primeira namorada de meu filho Chris partiu o jovem coração dele, ele ficou arrasado. Então lemos juntos o Salmo 30.5: “O choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria”, e eu disse: “Chris, entendo completamente por que você está triste agora. Eu também estou triste. Nenhum pai e nenhuma mãe gosta de ver o filho sofrer, com o coração partido. Mas prometo que a alegria virá no tempo de Deus. Você será feliz novamente.”
O que meu filho precisava era de esperança. Perspectiva traz esperança, pois enxergamos a dor no contexto maior. Rejeição não é terminal. A dor não dura para sempre. Geralmente é temporária.
Falem com Deus juntos - Após a rejeição de nossa filha na universidade, fomos ao único lugar que conhecíamos para buscar conforto profundo: Deus. Clamamos a Deus por sua promessa em Romanos 8.28 : “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”
Nós oramos: “Senhor, não sabemos como, mas pedimos que o Senhor use esta situação para o bem em nossas vidas. Mostre-nos sua bondade e mostre a Susy qual a universidade que o Senhor tem para ela.” Susy foi para a Miami University, em Ohio, onde aprofundou seu relacionamento com Deus e sua fé. No ano passado formou-se e neste verão casou-se com Scott, um jovem cristão maravilhoso que conheceu na faculdade. Deus usou esta rejeição para o bem? Sim, de muitas maneiras. Ele tinha um plano melhor para Susy.
Lembre-se: Jesus foi rejeitado - Quando você achar que ninguém entende como você se sente, lembre-se que Jesus compreende. Ele também foi rejeitado por seus amigos, seus irmãos, religiosos e céticos. E o Deus Pai sabe o que há no coração do filho quando ele é rejeitado, pois Deus viu seu único filho sofrer com a rejeição. Ele poderia intervir, pois ele é Deus. Mas não o fez. Ele o amou demais. Seu filho Jesus não apenas morreu em nosso lugar para levar nossos pecados, mas experimentou a rejeição enquanto vivia para que hoje pudesse nos confortar e nos consolar.
Susan Alexander Yates é autora de diversos livros. É casada com John e tem cinco filhos.
Com a palavra: AS MÃES
O que você diz para ajudar seus filhos a lidar com a rejeição?
“Quando uma criança na escola exclui um de meus netos, dou a eles o mesmo conselho que dei a meus filhos há alguns anos: ignore o ofensor e faça amizade com alguém que precisa de um amigo. Nada afastará sua mente mais rápido do sentimento de rejeição do que o fato de ganhar um novo amigo.” Mary
“Quando minha filha é rejeitada, coloco meus braços ao seu redor e permito que ela chore comigo e veja minhas lágrimas de empatia por sua dor. Então oro com ela para que Deus a conforte. Depois, compartilho com ela o momento de rejeição, o que já vivi, como me senti excluída. Isto ajuda minha filha a perceber que sobrevivi à rejeição. Desta maneira, ela pode reconhecer o quanto Deus nos ajuda em tempos de dor.” Lauren
“Meu filho foi rejeitado por pessoas que eram seus amigos há sete anos, pois uma nova pessoa juntou-se ao grupo e começou a rir dele. Expliquei-lhe que a rejeição muitas vezes não tem a ver com a pessoa ofendida e sim com a insegurança do ofensor. Disse a meu filho o quanto ele é especial para Deus. E falei com os outros pais sobre esta situação para que todos ficassem alertas com essas ações do grupo.”
Amy
Fonte: Cristianismo Hoje